quinta-feira, 3 de março de 2011

O Inteligente

E tudo é perfeito...

É demais saber.
E saber tudo, é quase perfeito?
Porque não querer saber
É mais do que saber viver:
É reconhecer o facto de não saber.
E o reconhecimento é a porta
E uma porta aberta para a salvação,
Restauração, implantação de uma nova crença.
Benéfico ao nosso estado de espírito.
Abertas estão as portas que te levam para o altar.

Se, porventura, o poema e a poesia
Te atrofiarem,
Só tens de te convencer que nada vales
Aos olhos do que vale tudo.
E tudo é perfeito!

Aquele que tudo vale
É perfeito...
E saber tudo
É quase perfeito?

Jónatas Pereira 02/03/11

Inês

Mil odes se fizeram a ti,
E chega agora, a minha hora...

Termina a vida aqui
Quando o surreal surpreendente
Acontece e te transporta
Para o largo rio português.

A miséria da tua condição
Só te transporta para a glória
Da tua raça, que embora reconhecível,
Miserável, Miserável!

Morta pela sensibilidade,
Que mais do que um prazer carnal
Pode influenciar;
O teu corpo se curvou,
Rumo à terra que te acolheu
Antes de toda uma conclusão infame.

Mata-se por tudo e
Por tudo se pode matar
Quem te devia ter amado
Por nada te quis amar...

E a tua vida é reconhecida
Por esse povo que te matou...
Hás-de ser sempre nossa
Maior amor que a História recordou...

Jónatas Pereira 01/03/11

Soneto Gritante (ou Do Senhor Professor)

O senhor tinha brincos
E dava-nos lições,
O mundo fora de nós
Trazia-nos aflições.

O senhor era intemporal.
(Corpo de viúvo ancestral).
Pisou a fronteira entre o ser e o mundo
Parou na rua, gritou lá do fundo:

"Amigos, quem vos diz
Que sou eu um mendigo
Não é por estar assim vestido, ó que castigo!

É que não me importo
Com o que não sou
Assim outrora jazido, a minha mão vos dou!"

Jónatas Pereira 06/02/11

Palavras Pensadas

O que se faz é pensar palavras.
 Hás-de te tornar eloquente a pensá-las.
 Trabalha-as.
 Estrutura as frases.
 Letra a letra. Palavra a palavra.
 Estrutura as estrofes.
 Verso a verso.
 E o poema
 Estrofe a estrofe.
 Que lindo! Um poema
 Já nascido.

 Nasceu um poema.
 E tem a cara do pai,
 Embora tenha algumas
Parecenças com...
 Não há mãe!

 Continua eloquente
 A pensar convenientemente.

Jónatas Pereira 06/02/2011

O Traidor

Não sei porquê.
Porquê?
Ninguém quer saber da tua vida!
Porquê escrever textos artísticos, que,
Só por isso,
Não aparecem nas revistas cor-de-rosa?

Nada de transcendente na tua
Visita ao mundo da traição.

Não pareça, mas podes estar a um centímetro
De te traíres a qualquer momento.
Um centímetro, como quem diz
Qualquer unidade...

Bem-vindo ao mundo traidor
Que não é o próprio mundo.
A traição és tu que a fazes,
Planeias, engendras e actuas.

Ninguém quer saber da tua vida, ó poeta!
E mesmo assim escreves lindos poemas,
Que só por isso, não saem nas revistas
Das salas de espera,
Talvez da nossa alma,
(Mas também no sentido pragmático)...

Jónatas Pereira 06/02/11

Olá! Somos "Omens"

 Olá, esta página era branca.
 E eu já começo a achar que vocês preferem o branco
 Do que estas palavras constrangedoras,
 Mas só queria escrever que as palavras de hoje
 São mais lógicas e concretas, não precisam de se assustar... 
 Os Homens de hoje não têm "h".

 Olá, esta página era branca.
 E agora começo a achar que vocês preferem as palavras,
 Mas palavras redondas, adaptadas ao ouvido e ao entendimento.
 Os Homens de hoje não têm "h" no seu nome...
 Para quê?
 Não se querem incomodar! Não precisam de se incomodar
 Com palavras destas,
 Irritantes e impossíveis de adaptar.
 Não dá. Não se consegue. E se se conseguisse?
 Se se conseguisse tiravam-se as letras todas
 Da palavra "Homem".
 E estes "omens" de hoje, inocentemente,
 Querem colocar a palavra "Mudasti" no dicionário.
 E cegamente tiram a palavra que os define dali... 

 Adeus, eramos Homens e agora somos "omens"
 E esta página deixou de ser branca...

 Jónatas Pereira 22/08/10

Mata

Eu estou a escrever no meio da mata,
Ao pé de um incêndio e uma brisa infernal...
No meio da mata, o fogo diz: "Mata! Mata!"
E o coração não diz nada, nem a consciência...
Onde está a liberdade que me disseram que davam?

A vida não são dois dias...
Não sei ao certo quantos são,
Mas são muitos menos...
Muito menos...
Muito menos de quarenta e oito horas...

Jónatas Pereira 26/07/2010 (A.A)